segunda-feira, 9 de maio de 2011

Verdadeira Idade


- Quantos anos você tem, filha?
- Vinte e um.
- Nooooossa! (diz ela boquiaberta)
- Nem quando eu era mais nova que você, esbanjava tanta candura!

Quem me vê passando, pensa que sou uma bonequinha. Como mentem aqueles vestidinhos multi coloridos e esvoaçantes. Dizem coisas que eu não sou: feminina e delicada. A maquiagem discretíssima? Esconde todo meu autoritarismo. As unhas curtinhas não dão pistas das garras que realmente tenho. A feição do rosto, não deixa transparecer de jeito algum a feminista que existe em meu interior. E a estatura então, que sem vergonha: jura de pés juntos que sou uma menininha de 12 aninhos. Quanta audácia, não? Mas basta eu abrir a boca para todo esse castelo desmoronar. De Chapeuzinho Vermelho, eu passo a Lobo Mau:

Dá para falar direito comigo? Olha a confiança que eu estou te dando. Perdeu alguma coisa aqui meu bem? Abaixa o tom quando for falar comigo. Eu acho que tenho o direito, não?! Dá para calar a boca? Eu vou perguntar só uma vez. Dá para fazer silêncio ou está difícil? Meu bem, olha para a minha cara e vê se eu estou gostando. Ai, que saco. Não adianta falar porque ninguém vai fazer a minha cabeça. Fui clara? Ah, vai ver se eu tô na esquina. Isso é falta de uma lavagem de roupa? Se for, resolvo seu problema já já.

Essa sou eu: uma alma de cem anos que vem rejuvenescendo desde então.

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